Psicóloga - Ribeirão Preto - Terapia Cognitivo-Comportamental - Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

Clínica Psicológica - Atendimento Psicoterápico Adolescentes, Adultos, Terapia Individual e de casal (homo e heterosexual). Psicoterapia Cognitivo-comportamental, Psicoterapia Breve - Transtornos de Ansiedade ( Fobia Social, Transtorno Obssessivo-compulsivo, Pânico, Tricotilomania, Compulsões), TDAH. Fone: (16) 362 55266/ 396 46692 - Rua Olavo Bilac, 805 Vila Seixas - RIBEIRAO PRETO - SP - CEP:14020-020 vietta@netsite.com.br http://viettaednovo.blogspot.com/

30.4.12

Vida e Morte na Pós-modernidade

 No plano ontológico uma das dificuldades em abordar o tema da morte em filosofia e mesmo em Psicologia e Teologia, é que se trata do único evento na vida humana não suscetível de se transformar em experiência.

Para falar sobre a morte como para falar de qualquer tema atual, é preciso contextualizá-lo no período histórico e social em que estamos vivendo.
Vivemos uma época de incertezas, das desconstruções das narrativas, da inversão de valores, do Niilismo, do imediatismo, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, do narcisismo, do consumismo, etc.

Cientistas sociais contemporâneos, como Zygmunt Bauman, entre outros, apontam a incerteza como característica da Pós-modernidade e consideram que a predominância desse sentimento se deve à dificuldade de prever com certa margem de segurança, a amplitude e as conseqüências das ações tomadas pelo homem contemporâneo. Para esses autores, se por um lado, as inovações tecnológicas nos dão segurança e conforto, por outro trazem paradoxalmente sérios problemas, principalmente no que diz respeito à saúde e aos danos causados ao meio-ambiente.

A vida perdeu seu valor, o Ter é mais importante que o Ser. O Ser só tem valor enquanto produtivo. O ser humano é desvalorizado devido à supervalorização dos bens materiais. A cultura contemporânea materialista enfatiza a personalidade centrada no EU, no individualismo. Observa-se uma valorização mercantilizada do corpo, passa-se a viver sob a regra vigente do silicone, do Botox, das cirurgias plásticas, da lipoaspiração, etc. O homem desafia e tenta driblar a velhice e a morte; porém sua principal característica é a consciência de sua finitude e a certeza de ser mortal.
Em tempos pós-modernos e em época de uma sociedade hipertecnológica em relação a um passado relativamente recente, vivemos alguns paradoxos: a duração da vida em número de anos se estende ao mesmo tempo em que a possibilidade da destruição total da vida humana é cada vez mais uma possibilidade.

O “morrer” sofre com a pressa moderna, já que os rituais em torno da morte estão empobrecidos simbolicamente, sendo cada vez mais rápido esse significativo momento da vida. Em conseqüência, a morte deixa de ser um “ato social”, partilhado pela comunidade – como foi durante séculos, passando para o âmbito privado, algo a ser vivenciado solitariamente. O velório é realizado em ambiente próprio e não mais em casa, manifestações de tristeza e choro são contidas para não constranger os presentes, os cemitérios mais se parecem com jardins, o período de luto se resume a poucos dias, logo a vida da família do morto ‘volta ao normal’.

A equipe de saúde procura dissimular a presença da morte impedindo que as pessoas tenham acesso ao quarto daquele que morre, procurando fazer rapidamente o preparo do corpo. Evita-se dizer que alguém morreu, usando, no lugar, a expressão, “foi a óbito”.

O medo da doença, da velhice e da morte torna-se maior. Um medo a ser enfrentado a ferro e fogo. A morte é escancarada e transformada em episódio midiática, sendo mostrada em forma de espetáculo, corpos abandonados nas calçadas, jovens agredidos à paulada pelas ruas e campos de futebol, o desrespeito pela vida e pela morte, crianças são jogadas pela janela, abandonadas em latas de lixo, jovens colocando fogo em morador de rua, mata-se por um par de tênis. A morte torna-se banalizada. O homem desperta para a consciência de sua Finitude. Da finitude que não descrimina ninguém.

A certeza da própria morte aciona mecanismos de reação para enfrentamento da Angústia diante da Finitude: é preciso resgatar a crença em Deus. A Pós-modernidade busca exatamente a reafirmação desses valores, ou seja, dos valores Transcendentais. É preciso crer em algo além da vida. Esta tendência já se faz sentir em todos os setores da vida em sociedade. Instituições se mobilizam.

A OMS - Organização Mundial de Saúde tem se preocupado em atuar no sentido de levar Instituições e profissionais a oferecer formação e treinamento específico para o Cuidado Paliativo. Universidades buscam parcerias com religiosos. Já é evidente a possibilidade de diálogo entre Ciência e Religião; Os Currículos das Faculdades de Medicina buscam incluir a Assistência Espiritual como disciplina obrigatória. A Ciência já admite a relação entre Fé e Cura.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

Psicóloga Clínica

23.4.12

Transtorno Obsessivo-compulsivo: o que se deve saber

 

O Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) não é uma doença nova. Há alguns séculos, as pessoas com pensamentos obsessivos blasfemos ou sexuais eram consideradas possuídas. Esta concepção religiosa das obsessões era consistente com a visão de mundo da época, e a lógica do tratamento consistia em expulsar o mal da alma possuída. O exorcismo era o tratamento de escolha. Com o tempo, a explicação das obsessões e compulsões desviou-se de uma visão religiosa para uma visão médica.

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), já foi também considerado um transtorno raro, pois usualmente eram identificadas apenas as suas formas mais graves, enquanto que os sintomas quando mais leves, eram considerados "manias", "fraquezas" ou "falta de vontade" de tal forma que se o paciente o desejasse poderia livrar-se delas.

Considerado raro até há pouco tempo, o TOC é uma doença bastante comum, acometendo aproximadamente um em cada 40 ou 50 indivíduos. No Brasil, é provável que existam entre 3 e 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e tampouco tratadas. Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença para a qual já existem tratamentos bastante eficazes.

O TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo é hoje classificado como uma doença mental crônica incluída nos Transtorno de Ansiedade que se manifesta pela presença de obsessões e/ou compulsões. Está classificado ao lado das Fobias (medo de lugares fechados, elevadores, pequenos animais - como ratos ou insetos), da Fobia Social (medo de expor-se em público ou diante de outras pessoas), do Transtorno de Pânico (ataques súbitos de ansiedade e medo de freqüentar os lugares onde ocorreram os ataques), etc.

Os sintomas do TOC envolvem alterações de comportamento (repetições, evitações), de pensamento (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou "ruim", obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Sua característica principal, como já comentamos, é a presença de obsessões e/ou compulsões ou rituais.

Obsessões são pensamentos ou idéias, impulsos, imagens, cenas, que invadem a cabeça da pessoa de modo persistente, podendo ou não ser seguidos de comportamentos (manias) para neutralizá-los. São sentidos como estranhos e intrusivos causando aumento da ansiedade e grande desconforto.

Geralmente essas obsessões estão ligadas à higiene, organização, contaminação, transmissões de bactérias ou vírus. Por exemplo, uma obsessão comum é a preocupação excessiva com a limpeza, que é seguida por lavar as mãos repetidamente, o que torna esse ato uma compulsão.

Compulsões ou rituais são comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos executados em resposta a obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar, repetir perguntas, etc. As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de aflição. Nem sempre têm conexão realística com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça).

Algumas compulsões não são percebidas, pois se desenvolvem mentalmente e não mediante comportamentos motores, observáveis. Alguns exemplos: repetir palavras especiais ou frases: rezar, relembrar cenas ou imagens, contar ou repetir números, fazer listas, marcar datas, tentar afastar pensamentos indesejáveis, substituindo-os por pensamentos contrários. É comum, em portadores do TOC, a lentidão ao executar tarefas. Essa lentidão pode ocorrer em virtude de repetições (tirar e colocar a roupa várias vezes, sentar e levantar, sair e entrar, etc.), de verificações (trabalho, listas, documentos) ou do adiamento de tarefas devido à indecisão.

Os portadores do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, de cometer falha, de serem responsáveis por acidentes). Em razão desses medos, evitam as situações que possam provocá-los - comportamento chamado de evitação.

As evitações são, em grande parte, responsáveis pelas limitações que o transtorno acarreta. Felizmente, têm sido desenvolvidos novos métodos de tratamento, utilizando-se medicamentos e psicoterapia (cognitivo-comportamental) capazes de reduzir os sintomas e, muitas vezes eliminá-los.

 

            Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

                       Psicóloga Clínica 

21.4.12

Finitude: ser-para-morte

  “O Homem é um ser que leva o cadáver nas costas a vida inteira, pois sabe mais do que deve e menos do que precisa”. Luiz Felipe Pondé

O Homem é o único ser sobre a terra que tem consciência de sua finitude, o único, a saber, que sua passagem neste mundo é transitória e deve terminar um dia.

A Morte enquanto fenômeno psicossocial é altamente dinâmica e responsiva às mudanças no espírito do tempo, assumindo diversas representações coletivas nas sociedades ocidentais ao longo da história, conforme nos atesta a ampla documentação efetuada por Ariès, (1977).

O tema da Morte trás em si um conteúdo psicológico e emocional extenso e difícil de ser abordado de forma breve, não podendo deixar de fora os tópicos mais importantes. A Ansiedade, a Angústia, a Impotência e a Solidão com todos seus sintomas e sensações (perdas, raiva, dúvidas, expectativas, apreensões, sentimento de abandono, inseguranças, vazio existencial, etc.).

Psicanaliticamente, a morte iminente está fortemente vinculada à castração, pois ela subtrai sua possibilidade de vida. A angústia de castração é decorrente do medo de ser separado de algo extremamente valioso para o indivíduo. Porém, a experiência da morte representa a "castração por excelência", pois é irreversível e incapaz de ser compensada através de substitutos. O EU permanece absolutamente vulnerável e indefeso perante a morte.

Cada um de nós traz dentro de si sua representação ou interpretação da morte. Sendo assim damos a ela simbolismos, qualidades e formas diversas. Dependendo desta representação é que o homem enfrentará sua própria morte.

A morte é uma constante ameaça. É impossível compreendê-la ou mesmo aceitá-la com tranqüilidade. É, segundo Filósofos, Teólogos e Psicólogos, a maior Angústia do ser humano.

Para grande maioria das pessoas a morte é interpretada como, ruptura, desintegração, situação limite, desespero. No entanto, há quem a veja com certo fascínio (as grandes produções cinematográficas), uma grande viagem (produto de obras literárias), descanso ou alívio (no caso do sofrimento e da dor).

Em uma sociedade bastante ocupada em descobrir fórmulas de rejuvenescimento e em prolongar a juventude e a beleza, parece claro que não há muito espaço para conversar sobre a morte. A morte traz a dura realidade da limitação biológica: tudo possui um ciclo e o findar é parte desse ciclo.

Teoricamente a morte é um dos elementos integrantes do ciclo da vida. O indivíduo nasce, cresce reproduz, envelhece e morre. Esse ciclo, até o envelhecimento, para a maioria das pessoas é considerado natural e aceitável, sendo o processo de morte e morrer temido e adiado.

Foram muitos os biólogos, psicólogos, filósofos, teólogos e antropólogos a investigar sobre este assunto no decorrer da história. De fato, a morte se mostra em diversos olhares. Trata-se de uma preser humano, ocupação fundamentalmente humana. Na perspectiva organicista, ela pode ser vista como um processo natural e inevitável, ligada a uma programação genética específica para cada espécie de ser vivo em particular. O ser humano é percebido como um material orgânico e, assim sendo, possui um “prazo de validade”. No entanto, este entendimento puramente biológico sobre a morte não parece ser suficiente para o ser humano que busca compreendê-la a partir de suposições que vão aquém e além da sua dimensão física. 

Segundo Fiefel e Nagy (1981), nenhum ser humano está livre do medo da morte, e todos os medos que temos estão de alguma forma, relacionados a ele.

Enquanto a morte não vem, o medo, enquanto defesa nos faz mergulhar em ocupações, em atividades, trabalho, lazer, falações, contendas para não termos que nos preocupar com ela. Fugimos ou negamos, fazemos de conta que não nos diz respeito.

Não obstante, a morte trás em si, a dimensão do tempo que nos dá a dimensão da finitude, revelando nossa condição de ser-para-morte,

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

              Psicóloga Clínica

 

 

 

 

 

 

 

20.4.12

Terapia Cognitivo-comportamental

 

 

“As crenças que temos sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre o futuro, determinam o modo como nos sentimos: o que e como as pessoas pensam afeta profundamente o seu bem-estar emocional “ ( Beck e Kuyken, 2003)

 

A terapia cognitiva (TC) foi desenvolvida por Aaron Beck no início da década de 60, na Universidade da Pensilvânia, EUA. Beck tinha como objetivo investigar os mecanismos inconscientes propostos pela psicanálise para explicar o mecanismo da depressão, a partir de estudos empíricos e observações clínicas sistemáticas. Porém, resultados de suas investigações não se mostraram compatíveis com as pressuposições psicanalíticas, levando-o a buscar outros construtos que explicassem de forma satisfatória os dados empíricos observados.

Beck observou que humor e comportamentos negativos eram usualmente resulta de pensamentos e crenças distorcidas e não de forças inconscientes até então sugeridas pela Teoria Freudiana, ou seja, a depressão podia ser compreendida como sendo decorrente das próprias cognições e esquemas cognitivos disfuncionais. Observou que pacientes com depressão acreditam e agem como se as coisas fossem piores do que realmente são.

Utilizando-se da base empírica da teoria da melancolia de Freud, Beck desenvolveu estudos sobre a depressão e em 2006, descobriu que sua pesquisa invalidava conceitos psicanalíticos de depressão e que sintomas desta psicopatologia podiam ser melhor explicados através do exame dos pensamentos conscientes do paciente, no lugar de tentar trazer a tona (hipotéticos) desejos reprimidos e motivações inconscientes. A partir de então, desenvolveu um tratamento para depressão de modo a auxiliar os pacientes a solucionar seus problemas atuais, mudar seus comportamentos disfuncionais e responder de forma adaptativa a seus pensamentos disfuncionais.

As descrições dos indivíduos sobre si mesmos e de suas experiências evidenciavam pensamentos e visões negativas de si mesmos, de suas experiências de vida, do mundo e do seu futuro. Beck deu a esses pensamentos o nome de “pensamento automático”, visto que não precisam ser motivados pelas pessoas para vir à tona. Esses pensamentos são o resultado da forma do indivíduo interpretar as situações do dia-a-dia, ou seja, o que fica “gravado” como importante não é o que está acontecendo de fato, mas a interpretação que o indivíduo dá para o fato. Tais visões demonstram distorções cognitivas da realidade.

As terapias designadas de terapias cognitivo-comportamentais ou (TCC), denomina-se assim porque constituem a integração de conceitos e técnicas cognitivas e comportamentais.

O modelo teórico cognitivo-comportamental considera a cognição como a chave para os transtornos psicológicos, pois a cognição é a função que envolve deduções (pensamentos) sobre a experiência singular do indivíduo e sobre a ocorrência e o controle de sua percepção dos eventos.

Cognição é um termo amplo que se refere ao conteúdo dos pensamentos e aos processos envolvidos no ato de pensar. São aspectos da cognição as maneiras de perceber e processar as informações, os mecanismos e conteúdos de memórias e lembranças, estratégias e atitudes na resolução de problemas.

A psicopatologia é resultante de significados mal adaptativos que o sujeito constrói em relação a si, ao contexto ambiental (experiência) e ao futuro (objetivos), que juntos formam a tríade cognitiva. Na ansiedade, a visão de si é vista como inadequada, o contexto é considerado perigoso e o futuro parece incerto. Já na depressão, os três componentes são interpretados negativamente.

A terapias Cognitiva baseia-se no pressuposto teórico de que os afetos e os comportamentos de um indivíduo são determinados em grande medida pelo seu modo de estruturar o mundo. Isto quer dizer que a visão do mundo de uma pessoa, influencia a forma como ela pensa, sente e age.

A Terapia Cognitiva propõe que nossas emoções e comportamentos não são simplesmente influenciados por eventos e acontecimentos e sim pela forma através da qual processamos, percebemos e atribuímos significados às situações. O homem é um ser em busca constante por significados e explicações. Quando pensamos, estamos também interpretando esta realidade e a nós mesmos. A Terapia Cognitiva busca basicamente intervir sobre as cognições para modificar emoções e comportamentos disfuncionais.

 

             Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

                        Psicóloga Clínica

 

11.4.12

Ciência e Religião

 Estudos mostram que pessoas que vão com freqüência à igreja relatam níveis maiores de bem-estar, experimentam menos incapacidade, passam menos dias na cama e apresentam menos sintomas físicos do que pessoas cuja ida à igreja é menos freqüente.

Pesquisadores da Johns Hopkins University constataram que o comparecimento semanal a serviços religiosos reduzia em mais da metade o risco da mortalidade em decorrência de doenças cardíacas, enfisema, suicídio e alguns tipos de câncer… Um estudo constatou que pacientes da Unidade de Assistência Coronária, para cuja recuperação algumas pessoas faziam preces, sentem-se melhor do que os pacientes pelos quais ninguém orava.

Há numerosas investigações que promovem a interface religião e psicologia. Nas últimas décadas, surgiu uma volumosa bibliografia que explora, desde a análise teórica do tema até sua exploração, por meio da pesquisa empírica em diferentes partes do mundo inclusive no Brasil.

Até bem pouco tempo, ficaríamos surpresos diante de afirmativas de que estados de meditação profunda e de experiências místicas intensas pudessem produzir alterações eletroencefalográficas, no entanto, isto pode ser realizado em clínicas e laboratórios.

Outra novidade a nos surpreender no contexto da neurociências está relacionadas com  resultados de  técnicas de imagens cerebrais, tipo Spect (single photon emission computed tomography) ou Pet (positron emission tomography), ou ressonância magnética que mostram um aumento de atividade em algumas áreas cerebrais de pessoas quando em estado de oração, adoração ou louvor.

É possível mensurar científicamente hoje experiências místicas e meditativas e comprovar que o bem-estar espiritual é uma das dimensões de avaliação do estado de saúde, junto ás dimensões corporais, psíquicas e sociais.

Há equipes de pesquisadores que defendem hoje em dia a oração intercessória como fator coadjuvante no tratamento de pacientes cardíacos.

Na verdade, atender ao ser humano que adoece e sofre é o papel central das profissões da saúde Física e emocional. No entanto, o ser humano que adoece e sofre não o faz somente em sua dimensão física ou biológica, mas sim em sua integralidade. Desta forma, deve-se compreender o ser humano em sua dimensão biológica, mental, social e espiritual. Essa última dimensão foi adicionada pela Organização Mundial da Saúde na década de 1940 durante o movimento pela Medicina Integral nos EUA. Isso é prova de que a Medicina já reconhecia o valor desta dimensão na cura das doenças.

O verdadeiro cristão sempre contou com este recurso.

Que deseja Deus para a nossa vida? A Bíblia diz em (3João-2) “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai à tua alma.”.” A Bíblia diz em (Pv.17:22) “O coração alegre serve de bom remédio; mas o espírito abatido seca os ossos”.

Não obstante, os médicos admitirem o poder da Fé na cura das doenças, a orientação é para que os fiéis não abandonem os tratamentos tradicionais. A fé tem sido considerada coadjuvante em todo tratamento. Muitos profissionais têm sido instrumentos Deus na cura de muitas pessoas.

A religião e a medicina têm uma relação inseparável. Vemos isso todos os dias.

A ligação entre o corpo e espírito pode ser milenar, mas, conforme a cura foi se tornando uma ciência, os clínicos ocidentais se afastaram da espiritualidade e da fé religiosa. Agora, as necessidades dos pacientes, combinadas às pesquisas científicas que relacionam fé e boa saúde vêm pouco a pouco convencendo uma comunidade médica até então cética. Publicações científicas e livros abordam o assunto. Um número cada vez maior de médicos freqüenta conferências sobre fé e cura.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

Psicóloga Clínica

8.4.12

Infoxicação o que é isso?

 

 

 Infoxicação, foi o termo escolhido pelo físico Alfons Cornellá, para designar a relação entre  Informação e Intoxicação, um neologismo para explicar a dificuldade em digerir o excesso de informação, um mal da era digital. Outros conceitos relacionados com tal excesso são hoje conhecidos como Hiperconectividade, Infonomia (mania de buscar informação), Estresses de informaçãoSíndrome da Fadiga Informativa.

Ainda podemos incluir nesta lista outros neologismos como Tecnoestresse: incidência de sintomas de estresse por profissionais que se utilizam de tecnologias;  mais precisamente, inconveniência moderna causada pela inabilidade de conviver com as novas tecnologias do computador”, Tecnodependência, também conhecida porTecnósis são termos utilizados para designar, viciados em tecnologias. Técnofobiapessoas que recusam os avanços tecnológicos ao considerar que prejudicarão à sociedade. E Tecnofobia, que descreve todo e qualquer sentimento de medo, ansiedade ou sofrimento frente a uma ou várias formas de tecnologia. Esse mal estar físico e mental está na base do Tecnoestresse.

Tecnofóbico considera que algo de ruim pode acontecer ao se familiarizar com os novos avanços e não reconhece a necessidade de operá-los, nem de acrescentá-los à humanidade, pensa que antes as coisas eram resolvidas da mesma forma e que a tecnologia pode escravizar o homem.

Reconhecemos como Tecnofílicos àqueles que organizam sua vida ao redor de novas tecnologias e acham que sem elas não é possível ter uma vida social de sucesso. Vivem pendentes da comunicação e dos diferentes modelos que se incorporam ao mercado.

Assim as abordagens sobre as relações entre tecnologia e sociedade tendem a cair em duas posições extremas: Tecnofilia e Tecnofobia. A primeira vê a tecnologia como um elemento ruim que está colocando a sociedade em um processo de desumanização, não reconhecendo qualquer benefício que isto possa trazer a vida humana. A Tecnofilia tem uma posição oposta, vendo nos avanços tecnológicos as soluções e o meio ideal de melhorar o desempenho em diferentes tipos de atividades.

Vale a pena incluir também, outro tipo de conduta relacionada às já mencionadas e que define os que temem a tecnologia por desinformação, isto é, aqueles que se sentem inferiores por não saber manejá-las com destreza: os “analfabetos tecnológicos“, que na maioria das vezes encontram-se nesta condição pela impossibilidade ou falta de acesso aos às novas tecnologias ou mesmo pela falta de condições e preparo para utilizá-los.

Alguém poderia dizer trata-se de modismo ou tendência em ver doença onde não existe. Deste ponto de vista podemos dizer não haver reconhecimento, pelo menos por enquanto, de tais doenças, senão  síndromes para identificá-las e enquadrá-las em conjunto de sintomas. Visto desta forma é possível enquadrá-las em algumas patologias e tratá-las efetivamente através de abordagens psicológicas ou medicamentosas como exemplo, na diminuição de ansiedades, depressões, Angústia, frustração, compulsões, etc.

 

6.4.12

“A Ciência sem fé é Manca. A religião sem a ciência é cega” (Albert Einstein)

 


           A Modernidade é o momento histórico que sucedeu o Período Medieval cuja base foi o poder do clero, o predomínio da religião (das crenças nos fenômenos sobrenaturais) sobre qualquer outro tipo de conhecimento ou da razão.

A Modernidade nos livrou das trevas, do fanatismo, do autoritarismo eclesiástico e da perseguição, mas nos levou para o outro extremo para o domínio da razão e da ciência sobre a religião e o direcionamento para o mundo material.

Pode se dizer que na Modernidade houve um desencantamento do conhecimento, onde o divino, a fé e os fenômenos sobrenaturais deixaram de compor a base do conhecimento, sendo substituídos pela razão pura, na busca da ordem e do progresso

A Modernidade se baseou na razão, na ciência, na matemática, no absoluto, assinalando que todas as descobertas científicas seriam verdades absolutas. Só seria verdadeiro aquilo que tivesse comprovação. Portanto, quando a Ciência nasce a religião perde o valor.

Ao longo do sec XX e parte do anterior instalou-se um conflito irreconciliável entre o conhecimento e a fé. Prevaleceu a opinião entre as mentes avançadas de que era hora de a fé ser substituída cada vez mais pelo conhecimento; a fé que não se baseava em conhecimento era superstição, e como tal devia ser combatida. 

A Modernidade tirou Deus do centro do universo e colocou o homem – o Antropocentrismo. Os valores deixaram de vir do plano transcendental e passaram a ser ditados pela vida terrena.

Quando o homem tira Deus do centro de sua vida, precisa ter a certeza de que terá imediatamente algo a ser colocado nesse lugar. Algo que possa suprir todas as suas necessidades e assegurar sua sobrevivência. Algo que pudesse garantir alívio e soluções efetivas, concretas para todos os seus problemas. Algo que fosse maior que o medo de arriscar essa troca. Isso também exigia fé, só que na razão. 

Na verdade, a evolução não é só o produto da nossa curiosidade em descobrir como as coisas são, mas, também, produto do medo de enfrentar a dor, o sofrimento, a culpa e a morte.

Na Modernidade a racionalidade substitui Deus e a Ciência se torna a senhora todo-poderosa capaz de encontrar soluções para todas as aflições humanas. Tudo poderia ser explicado e controlado por ela.

Mas, as conseqüências dessa mudança de paradigma se fizeram sentir nos trágicos acontecimentos do século XX, colocando em xeque o mundo do progresso, do conhecimento, da ciência e da razão que culminaram com o grande colapso gerado pelas guerras, revoluções, estragos ambientais, mortes e conflitos marcados pelo terrorismo, suicídio em massa, novas doenças como a AIDS, Alzheimer, Pânico, só para citar alguns exemplos.

Com tantas conseqüências negativas, o homem despertou a consciência e passou a ter mais dúvidas que certezas, a humanidade passou a ter novos questionamentos e reflexões profundas sobre os destinos do Homem e o futuro do Planeta.

É certo que a Ciência e a Tecnologia trouxeram evolução, propiciando sofisticados meios de diagnósticos e tratamentos cada vez mais aperfeiçoados. Indiscutivelmente, a humanidade se beneficiou dos avanços da Ciência e da Tecnologia (Tomografias, Ultrasonografia, Vidiocirurgias, Ressonância Magnética, nanotecnologia). Um tumor antes não operável pode, hoje, ser extirpado por um procedimento cirúrgico, invasivo. Os remédios são suficientes para controlar as moléstias infecto-contagiosas e degenerativas, porém o homem ainda carece de sabedoria; não consegue viver em harmonia com a natureza e respeita a vida.

O homem Pós-moderno descobriu que a Ciência resolve muitas coisas, mas não dá conta de tudo.

Há uma dimensão da vida humana que permanece indecifrável a despeito da razão e de todo conhecimento – a Transcendência do ser humano. Esta só é acessível pela fé. A modernidade se esqueceu das dimensões do espírito, da alma.

Aos poucos o homem Pós-moderno sente a necessidade de resgatar seus valores.

“A verdade, já dizia Agostinho, só pode ser garantida por algo acima dos homens e das coisas: somente através de Deus”. Por isso, é preciso render-se à fé, que permite resgatar a dignidade da razão: É preciso “compreender para crer e crer para compreender.”

 

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

       Psicóloga Clínica

 

 

 

2.4.12

Você é Workaholic ou Worklover?

 

 A busca do sucesso a qualquer preço no mundo dos negócios vem originando um tipo profissional que os americanos batizaram por Workaholic, termo inglês que significa viciados em trabalho. São pessoas que vivem para o trabalho, não pensam em outra coisa, estão inteiramente ligadas ao celular, ao leptop, levam serviço para casa e passam o final de semana trabalhando. Abominam a ociosidade. São pessoas que dormem mal (quando dormem), passam a noite rolando na cama repassando sua agenda do dia anterior, preocupado com a agenda do dia seguinte.

São executivos que se sentem incomodados e intranqüilos nos finais de semana, trabalham nos feriados e quase nunca tiram férias. São encontrados com freqüência no escritório ou em seu ambiente de trabalho, após o expediente. A profissão é a atividade mais importante de sua vida, mas do que sua vida pessoal, familiar, social. Geralmente apresentam sintomas que o acompanham, como dor de cabeça, problemas digestivos, insônia, irritabilidade, tensão, taquicardia, falta de ar, tonturas, mal estar indefinido, insegurança, dificuldade de concentração, mau humor, falta de disposição para o sexo e outras queixas, estando sempre muito ocupados para buscar ajuda. Chegam em casa cansados demais para conversar, sendo este geralmente o motivo ou causa das discussões em família. No relacionamento social acabam desadaptadas, tendo como assunto predileto os negócios, tendo dificuldades em se entrosarem quando o assunto é corriqueiro, como, cinema, coisas do dia-a-dia, atualidades. Estão sempre ocupadas, com pressa, como quem não tem tempo a perder.

Empresários com estas características de comportamento investem toda energia para cumprir compromissos e responsabilidades que eles mesmos se impõem e cobram sendo os mais afetados por esta nova síndrome do século.

Muitos se orgulham de ser Workaholic, e até pouco tempo esse título poderia ser motivo de orgulho e recompensa. No entanto, sabe-se hoje que a produtividade é maior, quanto mais tranqüilo, organizado e equilibrado for o trabalhador. Há empresas que propiciam descanso aos seus funcionários e evitam a sobrecarga de trabalho para manterem a produtividade. Pesquisas confirmam que o método funciona, pois além de produzir mais com qualidade, diminuem as ausências de funcionários por doenças, tanto própria quanto, de seus familiares.

É importante esclarecer que o problema não é o quanto se trabalha, mas a sabedoria em se distinguir as fronteiras entre a vida profissional e a pessoal, conciliando trabalho e lazer. O workaholic não consegue ter vida pessoal e social nem tirar prazer e desfrutar da vida fora do trabalho. No entanto, há estudos que afirmam existir uma versão mais saudável desse perfil, o worklover (o que tem amor ao trabalho), a pessoa que trabalha muitas horas por dia, e mesmo assim consegue encontrando equilíbrio, que, ao contrário do workaholic, apesar de passar muito tempo se dedicando ao trabalho, têm no trabalho uma fonte de prazer, mantém vida social paralela ao trabalho

O estresse prolongado, doença orgânica, depressão, Síndrome do Pânico e até o infarto, pode ser uma estratégia do organismo para obter uma parada forçada. É o que acontece com o workaholic que só para de trabalhar quando a doença o impossibilita. Como psicóloga devo alertar: é melhor prevenir que remediar.

O trabalho é atividade necessária e imprescindível para uma vida saudável, porém, o homem não deve ser escravo do trabalho. O trabalho deve ser atividade prazerosa, que realiza e propicie alegria para viver com qualidade. Se o seu trabalho é seu único prazer, ou está sendo algo que o impede de compartilhar alegrias e prazeres com os que lhes são caros, há algo errado com você.

 

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

    Psicóloga Clínica

 

 

10.3.12

Tristeza versus Depressão

 


Tristeza é um fenômeno normal que faz parte da vida psicológica de todos nós. Depressão é um estado patológico. A tristeza tem duração limitada, enquanto a depressão costuma afetar a pessoa por mais de 15 dias. Na tristeza somos capazes de identificar a causa de nossas preocupações, na depressão geralmente não sabemos conscientemente porque estamos tristes ou magoados. A depressão provoca sintomas como desânimo e falta de interesse por qualquer atividade e prejudica o funcionamento psicológico, social e de trabalho. Quando deprimidos nossas atividades se tornam comprometidas, ou seja, já nos tornamos menos produtivos, temos dificuldades nas relações, familiares, amigos, finanças, etc. Não se trata de trabalhar triste, trata-se de não conseguir mais trabalhar. Não se trata de elaborar respostas para os pensamentos negativos, trata-se de ser dominado por eles, na depressão tornamo-nos impotente, é quando a fossa se prolonga demais incapacitando-nos, e passamos a ter um juízo equivocado ou excessivamente rígido, com conseqüências desproporcionais ao fato gerador de tristeza, ou a presença de tudo isso, sem fato gerador algum.

Depressão é uma doença do corpo inteiro, não só do cérebro. O paciente se sente pesado, lento (ou com agitação improdutiva), com dores no corpo, dores de cabeça, Fibromialgia, alteração do ritmo intestinal, da digestão, alteração da pele, cabelos, unhas, alterações do sono, da fome, etc.

A Depressão abaixa a resistência, torna as pessoas mais vulneráveis à doenças, aumenta a chance de infarto, derrame, diabetes, etc.

Para o diagnóstico da depressão, são necessários pelo menos cinco dos seguintes sintomas durante um período de duas semanas:

Humor deprimido na maior parte do dia, sentimento de tristeza, melancolia, vazio sem causa aparente.

Em crianças e adolescentes pode aparecer agitação, um humor irritável, hostilidade, apatia.

Acentuada diminuição do interesse ou prazer em quase todas as atividades do dia; perda de interesse pela vida.

Perda ou ganho significativo de peso sem estar de dieta ou diminuição ou aumento do apetite.

Insônia ou hipersonia, em quase todas as noites.

Agitação ou retardo psicomotor (observável pelos outros),

A pessoa se sente pesada, lenta ou com uma agitação improdutiva.

Fadiga ou perda de energia, em quase todas as atividades do dia.

É importante você entender que a tristeza e a depressão não são um “defeito” de caráter, de personalidade, assim como não são sinal de fraqueza, falta de vontade ou preguiça. Também, não é loucura, é uma doença como outra qualquer!

As pessoas próximas geralmente desconhecem ou desconsidera o quadro clínico do paciente, classificando a situação como "frescura" e tratando o paciente com preconceito. Esse procedimento pode diminuir ainda mais sua auto-estima, acrescentando à sua já numerosa lista de preocupações pessimistas o sentimento de incompreensão. Portanto, apoio e compreensão são fundamentais para a recuperação do indivíduo deprimido. A família pode contribuir com o sucesso do tratamento, incentivando e ajudando o paciente a aderir e dar continuidade ao tratamento.

Depressão é uma doença, que, felizmente tem tratamento e cura e os resultados mais rápidos e eficazes contra a depressão tem sido observados quando o psicólogo trabalha em parceria com o psiquiatra, o que possibilita a combinação de psicoterapia com medicamentos antidepressivos. No entanto, a medicação psiquiátrica só será indicada após, adequada avaliação médica, nos quadros moderados ou severos ou, quando outras tentativas pessoais de superação fracassarem.

 

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

     Psicóloga Clínica 

Psoríase: pele e emoção

 


A pele é altamente sensível às emoções, em virtude das ligações existentes entre ela e o sistema nervoso. Ambos possuem a mesma origem embriológica. Ambos derivam do ectoderma, o folheto externo do embrião, que, na sua evolução, dobra-se sobre si mesmo formando um tubo, chamado tubo neural. A parte que fica por fora vai formar a pele e a parte interna vai desenvolver o sistema nervoso. Portanto, desde o início, a pele está em ligação direta com o sistema nervoso, enviando-lhe constantemente informações sobre o meio externo.

Ao nascer, a pele é o maior órgão de percepção. Ela registra as mudanças do quente e aconchegante corpo materno, para o frio e áspero mundo externo. Assim, a pele se torna o meio de contato físico e de resposta de uma gama de emoções que a criança vivencia, seja de bem estar ou de angústia.

A pele é também, um órgão de comunicação e, portanto, uma das formas do indivíduo expressar insatisfação, mal-estar ou desconforto por meio da somatização. Ela é o espelho do funcionamento do organismo ao refletir e interpretar: sua cor, textura, umidade, secura, sensações de frio, calor e, no toque o prazer e o desprazer com repercussões no estado psicológico e fisiológico.

Os quadros psíquicos principais nas dermatoses são ansiedade, depressão e sintomas obsessivo-compulsivos, que podem ser discretos, não caracterizando doenças, mas influenciando a evolução da dermatose.

A conexão entre a pele, o sistema psíquico e as doenças psicossomáticas é abordada pela dermatologia integrativa. Grande tem sido a contribuição da psicologia para ampliar os conhecimentos sobre o estado psíquico dos doentes dermatológicos, sobretudo através da psicoterapia numa abordagem cognitivo-comportamental.

Já não há mais como negar a interação entre o corpo e a mente. O estado emocional é capaz de desencadear diversas manifestações orgânicas e, até mesmo, doenças.

Muitas vezes, diante de uma situação de forte estímulo emocional ou do estresse do dia a dia, mecanismos biológicos descarregam a tensão no corpo, que se manifesta em um órgão, chamado de "órgão de choque". A pele é um desses "órgãos de choque" e, certamente, sofre em função dessas oscilações emocionais.

Quando o órgão atingido é a pele, algumas doenças podem ser desencadeadas ou agravadas, entre elas: psoríase, disidrose, vitiligo, dermatite seborréica, dermatite atópica, lupus e acne.

Dentre os vários fatores que provocam o aparecimento das dermatoses, o aspecto emocional é, talvez, o de maior importância e influencia tanto o surgimento como o agravamento da lesão. Um exemplo a ser destacado é o da Psoríase, uma das dermatoses crônicas mais pesquisadas classificada no grupo das psicodermatoses, cujo fator emocional foi identificado como agravante da doença.

Psoríase é uma doença crônica, não contagiosa, auto-imune que afeta a pele e articulações. Comumente provocam manchas vermelhas as chamadas placas de psoríase, áreas de inflamação e produção excessiva da pele.

A pele de pessoas saudáveis é renovada em cerca de quatro semanas, enquanto a pele dos pacientes com psoríase é renovada a cada semana. No caso da psoríase as células da epiderme chegam à superfície da pele, muito mais rápido, permanecendo presas à pele, formando manchas inchadas, vermelhas, escamosas. Para se ter uma idéia, uma célula da epiderme, em circunstâncias normais, vive 28 dias, tempo que envolve nascimento, multiplicação e morte. Dentro do quadro de psoríase, este ciclo de vida cai para 3 dias.

A psoríase é uma doença com componentes hereditários e de fundo emocional. Geralmente aparece no início da adolescência, mas pode aparecer também, devido a algum problema emocional, como a morte de um ente querido, divórcio, perdas financeiras, e outras situações de perda.

Muito provavelmente a questão emocional atua como um importante fator desencadeante da Psoríase em pessoas com certa predisposição genética para a doença. Fala-se em componente genético porque cerca de 30% das pessoas que têm psoríase também têm familiares acometidos por ela.

É fácil reconhecer os efeitos físicos da psoríase. Difícil é conceber o impacto da doença no emocional e psicológico. Pacientes com psoríase relatam sensação de vergonha, preconceito e angustia por causa do aspecto da pele. Por preconceito ou constrangimento, as pessoas deixam de procurar ajuda psicologia, complicando assim seu prognóstico.

 

                      Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

                                Psicóloga Clínica 

 


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